quinta-feira, 7 de março de 2013

Keynes à portuguesa



Neste momento, Keynes dá voltas e voltas no túmulo, ainda buscando um bloco de notas onde possa apontar as boas novas. Aparentemente, as suas ideias ainda são acolhidas de bom grado e não apenas as mais famosas que influenciaram a macroeconomia moderna. Por cá, João Salgueiro pensou, pesquisou, esmifrou as teorias keynesianas e o eureka materializou-se na frase: "Se não sabem o que fazer, ponham metade dos desempregados a abrir buracos e a outra metade a tapá-los. O que interessa é que estejam ocupados". Mais: "Criar lares de terceira idade, tratar melhor das crianças, ter as cidades mais limpas. Não há voluntariado para ir limpar as matas e as ruas uma vez por ano? Isso não é trabalho indigno". Pergunto-me a que tipos de buracos se refere (espero que não sejam aqueles que o próprio Salgueiro ajudou a criar…), mas também que tipo de pagamento receberão os nossos desempregados visto o nosso Estado falido apenas poder pagar a novos secretários e gestores público-privados?!?! Enfim, todas as teorias são mesmo assim, têm sempre algo que podemos questionar…
Para Salgueiro, não interessa saber o porquê de passarmos a ter uma taxa de desemprego endémica, daria demasiado trabalho e seriam demasiados dedos a apontar. O que interessa é que se o Estado e os empresários querem produzir mais e as pessoas querem trabalhar (ou estarem ocupadas, segundo as suas palavras), porque eles simplesmente não juntam os seus interesses? Haveria um maior nível de produção, junto com um maior nível de emprego, e todos sairiam ganhando. Na minha opinião, a teoria caí pela sua própria simplicidade que roça a desconsideração que tem por todos nós, procurando dar soluções micro sem pensar ou dizer algo de macro. Enfim, Salgueiro mostra como a nossa elite económica é medíocre de ideias depois de demasiados anos debaixo da sombra governamental. E a descoberta recente de tantos destes pensadores é uma das coisas que definitivamente podemos agradecer à crise…

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pedra Filosofal

A música que aqui tenho o prazer de partilhar convosco, provoca em mim uma miscelânea de sentimentos. Raramente a oiço, apenas nas escassas  vezes que passa na rádio e assim quero que continue para nunca me fartar de a ouvir e ter sempre o prazer de sentir aquele arrepiozinho na espinha! Chama-se Pedra Filosofal e foi baseada no poema escrito em 1956 por António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906 - 1997). Em 1963 Manuel Freire cantou-a, marcando o imaginário de uma geração que sonhava com o fim da ditadura e um mundo de liberdade.
Para mim é intemporal. Numa altura em que o futuro parece hipotecado e se adiam projectos pessoais e profissionais, apenas o sonho parece comandar a vida.

















Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

           (.....)
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Democracia



Saiu recentemente um novo dicionário de língua portuguesa que promete agitar a forma como falamos a nossa língua, mas que também marcará uma revolução em muitas das definições que julgávamos já adquiridas. O novo dicionário de políticos e representantes dos banqueiros é uma obra notável que, para além de aderir ao acordo ortográfico, nos dará também uma versão actualizada do verbo refundar. Mas como exemplo máximo deste trabalho, destacamos a nova definição de democracia. Dizer simplesmente que é o Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente, é coisa do passado. Agora, o termo democracia envolve igualmente términos tão variados como salvar bancos, assalto fiscal ou mesmo a proibição de se cantar Zeca Afonso em manifestações de contestação ao governo! Não respeitar estes desígnios significa somente ser-se antidemocrático.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A cartada de Seguro


Formalismos e pancadinhas nas costas à parte, a Comissão Política do PS, serviu para mostrar a Seguro que está tudo menos seguro enquanto líder do partido. Seguro caminha sobre brasas e sabe que tem de se mexer para não se queimar. A carta agora escrita à Troika é disso prova.
Será que Seguro acordou finalmente?

Tenciono, no entanto, focar-me sobre as reacções por parte dos partidos de Esquerda à referida carta...

Jerónimo de Sousa, líder do PCP, vem mais uma vez pôr-se à margem de qualquer entendimento ou conversação com a Troika. No seu entendimento, a oposição faz-se pela luta e a luta faz-se na rua.
Não posso deixar de discordar desta reacção. A "luta" faz-se por todos os meios institucionais e legalmente estabelecidos pela Democracia e pelo Estado de Direito. A manifestação e a mobilização são ferramentas válidas e importantes, não devendo, contudo, menosprezar-se outro tipo de iniciativas como a que agora surge por parte do PS.
Da mesma forma que reprovei o facto de PCP e BE se recusarem a participar nas negociações com a Troika, condeno agora Jerónimo de Sousa por esta falta de abertura política refém de uma ideologia estática, que insiste em olhar para trás em vez de seguir em frente. O PCP tem o dever de representar quem o elegeu e quem o elegeu quer ser ouvido. Isso significa ter uma palavra a dizer, inclusivamente - e principalmente - à Troika. A negação de uma realidade é a maneira mais fácil de se fazer oposição...


Já nota positiva merece João Semedo do BE, que com uma atitude positiva e construtiva reconheceu que esta iniciativa foi um passo importante, mas que por si só não basta. É preciso tirar as consequências do falhanço das medidas da Troika
Contrariamente ao que foi vaticinado por alguns, relativamente ao futuro do BE com a saída de Louçã enquanto líder do partido, penso que o BE pode vir a colher frutos com esta nova liderança mais dialogante, menos radical mas nem por isso menos activa. Resta saber se isto dá votos...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Não se cansem...



Lanço aqui o repto a todas as consultoras para o futuro. Cada vez que quiserem comprovar o pessimismo dos portugueses face à evolução económica e também política, convido-vos a acompanharem-me num dia normal de trabalho e a darem uma espreitadela no respectivo recibo de vencimento ao final do mês. Sendo eu ainda um dos poucos empregados em Portugal, poupariam muito esforço nas vossas análises e na utilização extensiva de medidores sobre expectativas económicas, de rendimentos e afins. Perguntem-me apenas se, enquanto consumidor, estou preocupado com a elevada taxa de desemprego, a redução dos rendimentos e o aumento compulsivo dos impostos e terão certamente uma resposta igual à de muitos portugueses oprimidos. É que se é para constatar o óbvio, então poupem no trabalho e nos custos...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Dá-me musica...

Aqui estou de acordo com o Sr. Primeiro Ministro....foi de bom gosto.
Melhor teria sido, se o nosso Primeiro, cujos dotes vocais lhe são amplamente reconhecidos, se tivesse juntado à cantoria, contribuindo para um final de estrofe em apoteose! Era bonito de se ver...