sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pedra Filosofal

A música que aqui tenho o prazer de partilhar convosco, provoca em mim uma miscelânea de sentimentos. Raramente a oiço, apenas nas escassas  vezes que passa na rádio e assim quero que continue para nunca me fartar de a ouvir e ter sempre o prazer de sentir aquele arrepiozinho na espinha! Chama-se Pedra Filosofal e foi baseada no poema escrito em 1956 por António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho (1906 - 1997). Em 1963 Manuel Freire cantou-a, marcando o imaginário de uma geração que sonhava com o fim da ditadura e um mundo de liberdade.
Para mim é intemporal. Numa altura em que o futuro parece hipotecado e se adiam projectos pessoais e profissionais, apenas o sonho parece comandar a vida.

















Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

           (.....)
Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que o homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Democracia



Saiu recentemente um novo dicionário de língua portuguesa que promete agitar a forma como falamos a nossa língua, mas que também marcará uma revolução em muitas das definições que julgávamos já adquiridas. O novo dicionário de políticos e representantes dos banqueiros é uma obra notável que, para além de aderir ao acordo ortográfico, nos dará também uma versão actualizada do verbo refundar. Mas como exemplo máximo deste trabalho, destacamos a nova definição de democracia. Dizer simplesmente que é o Governo em que o povo exerce a soberania, directa ou indirectamente, é coisa do passado. Agora, o termo democracia envolve igualmente términos tão variados como salvar bancos, assalto fiscal ou mesmo a proibição de se cantar Zeca Afonso em manifestações de contestação ao governo! Não respeitar estes desígnios significa somente ser-se antidemocrático.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A cartada de Seguro


Formalismos e pancadinhas nas costas à parte, a Comissão Política do PS, serviu para mostrar a Seguro que está tudo menos seguro enquanto líder do partido. Seguro caminha sobre brasas e sabe que tem de se mexer para não se queimar. A carta agora escrita à Troika é disso prova.
Será que Seguro acordou finalmente?

Tenciono, no entanto, focar-me sobre as reacções por parte dos partidos de Esquerda à referida carta...

Jerónimo de Sousa, líder do PCP, vem mais uma vez pôr-se à margem de qualquer entendimento ou conversação com a Troika. No seu entendimento, a oposição faz-se pela luta e a luta faz-se na rua.
Não posso deixar de discordar desta reacção. A "luta" faz-se por todos os meios institucionais e legalmente estabelecidos pela Democracia e pelo Estado de Direito. A manifestação e a mobilização são ferramentas válidas e importantes, não devendo, contudo, menosprezar-se outro tipo de iniciativas como a que agora surge por parte do PS.
Da mesma forma que reprovei o facto de PCP e BE se recusarem a participar nas negociações com a Troika, condeno agora Jerónimo de Sousa por esta falta de abertura política refém de uma ideologia estática, que insiste em olhar para trás em vez de seguir em frente. O PCP tem o dever de representar quem o elegeu e quem o elegeu quer ser ouvido. Isso significa ter uma palavra a dizer, inclusivamente - e principalmente - à Troika. A negação de uma realidade é a maneira mais fácil de se fazer oposição...


Já nota positiva merece João Semedo do BE, que com uma atitude positiva e construtiva reconheceu que esta iniciativa foi um passo importante, mas que por si só não basta. É preciso tirar as consequências do falhanço das medidas da Troika
Contrariamente ao que foi vaticinado por alguns, relativamente ao futuro do BE com a saída de Louçã enquanto líder do partido, penso que o BE pode vir a colher frutos com esta nova liderança mais dialogante, menos radical mas nem por isso menos activa. Resta saber se isto dá votos...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Não se cansem...



Lanço aqui o repto a todas as consultoras para o futuro. Cada vez que quiserem comprovar o pessimismo dos portugueses face à evolução económica e também política, convido-vos a acompanharem-me num dia normal de trabalho e a darem uma espreitadela no respectivo recibo de vencimento ao final do mês. Sendo eu ainda um dos poucos empregados em Portugal, poupariam muito esforço nas vossas análises e na utilização extensiva de medidores sobre expectativas económicas, de rendimentos e afins. Perguntem-me apenas se, enquanto consumidor, estou preocupado com a elevada taxa de desemprego, a redução dos rendimentos e o aumento compulsivo dos impostos e terão certamente uma resposta igual à de muitos portugueses oprimidos. É que se é para constatar o óbvio, então poupem no trabalho e nos custos...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Dá-me musica...

Aqui estou de acordo com o Sr. Primeiro Ministro....foi de bom gosto.
Melhor teria sido, se o nosso Primeiro, cujos dotes vocais lhe são amplamente reconhecidos, se tivesse juntado à cantoria, contribuindo para um final de estrofe em apoteose! Era bonito de se ver...
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Passos impreciso(s)


A remodelação do governo está feita. Relvas, fragilizado e fragilizante, mantém-se de pedra e cal, não obstante todas as polémicas e contestação.
Engane-se, porém, quem pense que este governo não tem uma estratégia. A nomeação de Franquelim Alves, ex-administrador do BPN, para secretário de Estado do Empreendedorismo, é disso a prova mais recente: os nossos governantes estão empenhados no apaziguamento social!
É certo que não recai nunhuma acusação, até à data, sobre a sua gestão no referido banco mas... havia necessidade? Numa altura em que o caso BPN está bem presente na memória de todos e que continua muito por apurar, não terá o governo previsto este burburinho ensurdecedor à volta de uma nomeação deste calibre? Será isto arrogância e desprezo pelo escrutínio popular ou puro definhamento político? Compadrios? Pagamento de favores?
Já vi este filme e não gostei...

Mr. Franklin

Franquelim Alves foi uma peça fulcral para o desvendar do caso BPN... Isto sim merece um riso à Eddie Murphy!...