Uma tarde de ócio sem me cruzar com política... não é fácil! Não acredita? Então, avanço com a explicação.
Vou até ao café, mais simpático, perto de minha casa e ouço alguém avançar com um definitivo: "Na política é vira o disco e toca o mesmo". De repente os sinos tocam na minha cabeça e eu, que detesto frases definitivas, lanço um olhar. Rapidamente percebo o que me separa do orador. Além das 4 mesas, o que nos separa é o suporte musical.
Deixei o leitor confuso? Então passo a esclarecer.
O citado cidadão será da geração de 50, logo cresceu a ouvir música em vinil. No seu tempo, a música ouvia-se no lado A e lado B. A política, de então, aproveitou a moda e "virar o disco e tocar o mesmo" passou a ser prática comum, tanto nos discursos como na acção. A minha geração cresceu num mundo em rápida evolução, do CD para o MP3 até ao Itunes. Para mim, a música começa por ouvir um single. Se gosto procuro o resto do álbum, e apenas guardo as músicas que me fazem abanar a cabeça; se não me agrada dou uso à tecla delete, passo para o próximo artista, assunto encerrado. Já a política também passa por uma análise crítica constante, tanto ao que é dito como ao que é feito.
O mundo evoluiu, as novas gerações estão mais atentas. Tal como o vinil, que é uma recordação do passado, procurada apenas por coleccionadores, o caciquismo em breve será artigo para coleccionadores.
Políticas de vinil não seduzem o mundo 2.0!!
Publicado originalmente em: http://atribunadeviseu.blogspot.com/
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