sábado, 4 de fevereiro de 2012

Roteiros Republicanos

                                                   

Estamos no verão de 2011, entro numa livraria da capital, e reencontro-me com Viseu (a minha terra natal). Não, não pense que ensandeci de vez, ou, em alternativa, consumi alguma substância ilegal. Tenha calma, que eu sou um tipo respeitador das leis da república. Refiro-me ao livro "Viseu Roteiros Republicanos", da autoria de António Rafael Amaro e  Jorge de Meneses Marques, editado pela Quidnnovi em 2010, no âmbito das comemorações do centenário da república. 
Porque vale a pena ter este livro em conta? Poderia enunciar inúmeros motivos, mas vamos ao essencial: em primeiro lugar, não abundam no mercado obras, honestas e de qualidade, sobre Viseu; em segundo lugar, somos brindados com várias ilustrações desde mapas da cidade (do tempo em que existia um quartel de artilharia bem no coração da cidade), abundantes fotografias de época, capas e recortes de jornais (que já só existem na cabeça da geração dos nossos avós) que, só por si, valem o preço do livro; por último, é um trabalho bastante completo e de fácil leitura, não se torna aborrecido até para as almas mais inquietas, não sendo muito dispendioso, numa altura de carteiras vazias.
E o que podemos esperar ao folhear a obra? Ao leitor, é apresentado um corte transversal da sociedade da época. Os autores, começam por uma caracterização económica e social, onde são apresentadas dinâmicas populacionais (1864 - 1940) e de emigração (1890 - 1939). Depois, levam-nos numa viagem pela criação da Região Demarcada Dos Vinhos Dão, apresentam biografias de figuras da elite local e o seu pensamento político (algumas dessas cabeças fazem falta), relatam o florescimento de jornais locais, analisam eleições e movimentos políticos, não sendo esquecida a restauração da monarquia em Viseu, no ano de 1919. Mais para o fim, está reservado um reconhecimento dos espaços públicos e toponímia republicana. Se é adepto dos rigores da forma física, a boa notícia é que, a obra, também retrata o desporto e os seus espaços. Para os saudosistas, do comboio, são apresentados projectos, alguns concretizados outros que não chegaram a ver a luz do dia, relativos à ferrovia local. Estamos perante um  relato sobre grandes homens, que viveram, uma época, feita à medida, de grandes políticos. 
A minha, última nota vai para o facto de as notícias poderem chegar mais rápido, se vierem de comboio.

PS1: Texto adaptado do original 
PS2: Existem Roteiros Republicanos relativos a todos os Distritos, procure o seu, não se vai arrepender.

Serviço público.. poupe na TDT



Não acusem o Avenida de Berna 26 de  não ser poupado!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney avança para xeque-mate?



Esta terça-feira, realizaram-se as primárias republicanas na Florida. No quarto maior estado norte-americano, Romney obteve 46% dos votos contra os 32% arrecadados por Gingrich, 13% de Santorum e 7% de Paul. Romney venceu graças aos votos dos moderados, liberais, católicos e protestantes. Por seu turno, Gingrich voltou a recolher a preferência da maioria dos conservadores e simpatizantes do movimento Tea Party. 
No discurso de vitória Romney aproveitou para se concentrar em Obama, apelar à união dentro do Partido Republicano, procurando reforçar a sua posição de candidato com mais hipóteses de derrotar o partido democrata. Tal como Gingrich recordou, o caminho não é um mar de rosas, ainda faltam 46 estados, a batalha eleitoral vai no inicio. Apesar de Romney ter tomado a dianteira nada é garantido. Nos próximos combates, a luta Romney-Gingrich vai endurecer... afinal, neste tabuleiro, o rei ainda não foi encurralado!


A saúde vai mal, sim Sr.

Quando quis ter a M. no Alentejo de imediato decidimos que o faríamos num Hospital do Estado. Fazia sentido até porque o próprio pai trabalhava "por ali" o que tornava as visitas mais fáceis e, principalmente, porque estávamos longe de imaginar que, entre colegas, algo pudesse correr mal. Tudo falhou, principalmente o lado humano dos médicos e enfermeiros. Na altura não escrevi no livro de reclamações para evitar represálias ao digníssimo esposo, do mesmo modo que não o fiz desta vez, aquando do internamento da M. durante as últimas 80 horas (mas desta vez as enfermeiras não escaparam a um bate boca no início da madrugada de 2ª feira). Só para resumir: a M. levou comida de casa para se poder alimentar e ainda teve de dar do NAN 2 dela a um bebé que não tinha comida; a mãe da M. (eu) dormiu 3 noites num sofá de um lugar; num dia faltaram lençóis e toalhas; noutro o ar-condicionado avariou e noutro não havia água quente; as 22h a M. arrancou o cateter, a mãe da M. (eu) avisou as senhoras enfermeiras que, por estarem a ver televisão, apenas apareceram as 23h para ver a mão da M. e as 23h20 para realmente mudar o cateter da M.... Etc, etc, etc... foram só 80 horas e muito mais podia dizer, nomeadamente as 6 horas passadas nas urgências com uma bebé de 9 meses, mas isto dá uma luzinha do estado da nossa saúde infantil.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Cultura Renova-se



Gosto da Fnac, do formato das suas lojas (principalmente do Chiado), bem como da sua proposta inicial de tornar acessíveis produtos e eventos culturais. Esta campanha pode ter corrido mal, foi claramente um erro de marketing, mas o que interessa ao consumidor é que baixem os preços dos livros sem cartões, cupões, descontos, trocas e outras promoções. 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Porque hoje é Sábado...



Nas últimas semanas tive a oportunidade de ler, a única obra de Hitchens traduzida para o mercado luso, "deus não é Grande - Como a religião envenena tudo" (D. Quixote).  
Mas já vamos ao livro, começo por apresentar o autor: Cristopher Hitchens (1949-2011), intelectual, jornalista, correspondente de guerra e critico literário, colaborou em publicações como: The Atlantic; Vanity Fair; The Nation; Wall Street Journal; The Spectator, entre outras. Hitchens combina uma série de qualidades, que raramente aparecem em conjunto, a saber: inteligência em largas doses, pensamento claro e bem definido, espírito crítico bastante aguçado, escrita elegante, frontalidade, nenhum receio da polémica e um refinado sentido de humor. 
O leitor, acha pouco? Nesse caso, sugiro um exercício: Em dez minutos, pense em dez autores com os mesmos atributos! Difícil, não é? Logo vi! Posso adiantar que, todas as suas qualidades levaram a que, na língua inglesa, surgisse o neologismo Hitchslap: acto que consiste em obliterar completamente o argumento de outra pessoa. Hitchens, por mérito próprio, tornou-se "bigger than life".
Relativamente ao livro, esta obra, é uma critica às principais religiões (nenhuma fica de fora). São apresentadas "quatro objecções irredutíveis à fé religiosa" (falseia a origem do homem; combina subserviência com solipsismo; é resultado e causa de repressão sexual; é fundamentada em pensamento ilusório), o autor  reafirma que é possível viver uma vida ética sem a necessidade da mão condutora de um criador. Não sendo o melhor trabalho de Hitchens, esta obra não acrescenta factos novos ao que já foi dito, vale a pena uma leitura atenta, tanto pela eloquência, como pela capacidade de argumentação apresentadas no texto. 

Última nota (só para editores): E que tal termos o resto da sua obra traduzida?  Não restam muitos autores desta qualidade.