sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A democracia na U. E.

De José Junqueiro, passando pela má memória, até à má imprensa

Infelizmente, por diversas razões, vivemos numa era em que o jornalismo, local e nacional, salvo honrosas excepções, pouco mais não é do que um megafone ou o estenógrafo de interesses específicos. Os jornalistas evitam fugir da linguagem do consenso, da harmonia e da inocuidade como se vivêssemos na disneylândia, ou numa Coreia do Norte na qual os grandes líderes não podem ser afrontados com as suas contradições. Poucos são os casos em que existe uma comunicação social local independente e livre, que fuja de uma mentalidade provinciana, que não tenha contemplações relativamente a compadrios ou caciques locais, na qual os rumores sejam levados em conta e devidamente investigados, funcionando como a correia transmissora da democracia. Seria importante, que os órgãos de comunicação locais fizessem bem o seu trabalho, pois a informação local muitas vezes é reflectida a nível nacional e vice-versa. A bem da democracia e da transparência, os políticos devem ser seguidos, de forma justa e não subserviente, pela comunicação social local, evitando que mais tarde aconteçam surpresas.

Imaginem: um político local que é eleito deputado e na Assembleia da República defende um princípio com base na ética, acusando os opositores de fazerem o contrário, mas na sua concelhia política, este deputado, faz exactamente o contrário. Se a imprensa local estiver atenta, de imediato pode acusar esse deputado de ser demagogo. Caso os jornalistas locais nessa hora estejam de férias, mas tenham feito o seu trabalho prévio, será fácil a um jornalista de um órgão nacional consultar a imprensa local, de modo a pôr a nu todas as contradições do excelentíssimo deputado da nação.

Em teoria, esta seria uma notícia para ser explorada, num primeiro plano pela imprensa local e num segundo plano pela imprensa nacional, certo?

Não. Completamente errado! O leitor não acredita?

Então apresento, ao estimado leitor, o deputado José Junqueiro e as contradições em relação ao que escreve no seu blogue, ao que diz na Assembleia da Republica (ver video) e às acções praticadas, que foram levantadas não pela imprensa local, amorfa, sem vontade de investigar e com necessidade de fundos de maneio, mas por meios de comunicação alternativos não domesticados. Em causa não está a validade das afirmações proferidas pelo deputado, mas a contradição em relação ao que exige dos outros e as suas próprias acções.

Em defesa da democracia, devo dizer que, apesar de termos uma comunicação social praticamente domesticada e de a mesma se ter demitido de cumprir as suas funções, ainda temos meios de comunicação alternativos com atitude, sem contemplações ou interesses escondidos, nos quais podemos confiar.

* (Texto originalmente publicado em: http://atribunadeviseu.blogspot.com/)

Especulação Imobiliária

Já vivi em mais casas (compradas ou arrendadas) do que o número de Primeiro-Ministros que este País já teve na sua História. Aliás, foram tantas, que já superei o número de casas comparando ao número de treinadores do meu clube. Só em 365 dias vou para a minha 4ª (sim, quarta). Não sei se foi devido à nova Lei do Arrendamento, se a compaixão dos senhorios em momento de Crise Nacional também está exacerbada mas, em 24 horas, consegui um achado (visitei, amei e...hei-de sinalizar). Assim dá gosto fazer mexer a economia - quando adquirimos sem nos sentirmos lesados.

Este blog precisa de música.. afinal é sexta!!

Este blog recomenda

Aqui, o País e o Mundo, ali (http://atribunadeviseu.blogspot.com/) um pouco mais a Norte. Um blog de um amigo (e colaborador) que eu recomendo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Seguro vs Sócrates

A propósito disto, resta saber se a ultrapassagem foi pela direita ou pela esquerda, é que o eleitorado ainda não percebeu.

Não haverá a possibilidade de convidar estes senhores ao nosso país? Em caso de sucesso, ofereciamos uma ilha das Berlengas...


O movimento contestatário Otpor ("Resistência") foi criado em 1988 por estudantes da Universidade de Belgrado e contribuiu activamente para a queda do regime de Slobodan Milosevic, em 2000. Falhou na tentativa de se transformar em partido político, mas alguns dos seus dirigentes fundaram, mais tarde, o Centro para a Resistência Não Violenta que influenciou diversos movimentos, designadamente na Geórgia e na Ucrânia, e, mais recentemente, no Egipto.

Feita a introdução, passemos à história propriamente dita. Pelos valiosos serviços prestados a Mohamed Nasheed, na altura em que este foi perseguido e detido, na qualidade de líder da oposição das paradisíacas Maldivas, os fundadores do Otpor, de Belgrado, não foram agraciados com a Ordem Nacional de Mérito nem com qualquer outra condecoração do mesmo género. Como recompensa pelo seu contributo para o derrube (em 2008) do antigo senhor das Maldivas, Maumoon Gayoom, receberam uma ilha paradisíaca - só para eles!!!!
Hoje, Nasheed é o Presidente deste arquipélago situado no oceano Índico e a pequena ilha de Tinadu, pode vir a tornar-se a primeira base marítima dos ideólogos sérvios da luta não violenta. A sua experiência não se ficou pelo derrube de Milosevic. Decidiram exportar a sua experiência revolucionária e já antes obtiveram também os escalpes de alguns regimes políticos decadentes na Geórgia, Ucrânia, Líbano e Egipto!
Assim que aterraram nas Maldivas, os membros desta organização organizaram workshops, debates e explicaram como se estruturavam os movimentos não violentos. O Presidente de então, que, aparentemente não era do mesmo calibre de Lukachenko ou Ahmadinejad, não se deu por achado, ou não se apercebeu de nada. Os jovens rebeldes locais até levaram os seus novos visitantes a conhecer o líder da oposição e foi então que lhes foi prometido: "Se vencermos, dar-vos-emos uma ilha para fazerem um centro de treino. Vamos chamar-lhe a 'ilha da democracia'!" Os planos postos em prática resultaram e Nasheed venceu as eleições presidenciais com a ajuda do Otpor e as suas estratégias revolucionárias, mais a força dos jovens locais.

Na verdade, não me importava de oferecer uma ilha a estes senhores, caso ajudassem a restaurar a verdadeira democracia no nosso pobre país. Ainda pensei na ilha da Madeira inserido no famoso cabaz de oferta, mas coitados não merecem tanto mal... Pelo contrário...