quinta-feira, 7 de março de 2013

Keynes à portuguesa



Neste momento, Keynes dá voltas e voltas no túmulo, ainda buscando um bloco de notas onde possa apontar as boas novas. Aparentemente, as suas ideias ainda são acolhidas de bom grado e não apenas as mais famosas que influenciaram a macroeconomia moderna. Por cá, João Salgueiro pensou, pesquisou, esmifrou as teorias keynesianas e o eureka materializou-se na frase: "Se não sabem o que fazer, ponham metade dos desempregados a abrir buracos e a outra metade a tapá-los. O que interessa é que estejam ocupados". Mais: "Criar lares de terceira idade, tratar melhor das crianças, ter as cidades mais limpas. Não há voluntariado para ir limpar as matas e as ruas uma vez por ano? Isso não é trabalho indigno". Pergunto-me a que tipos de buracos se refere (espero que não sejam aqueles que o próprio Salgueiro ajudou a criar…), mas também que tipo de pagamento receberão os nossos desempregados visto o nosso Estado falido apenas poder pagar a novos secretários e gestores público-privados?!?! Enfim, todas as teorias são mesmo assim, têm sempre algo que podemos questionar…
Para Salgueiro, não interessa saber o porquê de passarmos a ter uma taxa de desemprego endémica, daria demasiado trabalho e seriam demasiados dedos a apontar. O que interessa é que se o Estado e os empresários querem produzir mais e as pessoas querem trabalhar (ou estarem ocupadas, segundo as suas palavras), porque eles simplesmente não juntam os seus interesses? Haveria um maior nível de produção, junto com um maior nível de emprego, e todos sairiam ganhando. Na minha opinião, a teoria caí pela sua própria simplicidade que roça a desconsideração que tem por todos nós, procurando dar soluções micro sem pensar ou dizer algo de macro. Enfim, Salgueiro mostra como a nossa elite económica é medíocre de ideias depois de demasiados anos debaixo da sombra governamental. E a descoberta recente de tantos destes pensadores é uma das coisas que definitivamente podemos agradecer à crise…

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