sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Comunidades Intermunicipais


1.       Mais Estado?: Assinado o compromisso de reforma da administração local e pressionado pelo calendário da Troika, o inestimável ministro Miguel Relvas e os seus bem pagos assessores, imbuídos num espírito reformista, sentaram-se num gabinete e, de régua e esquadro na mão, toca a dividir o país. Apelidaram este projecto de: Novo Regime Jurídico das Autarquias Locais. Um nome juridicamente pomposo para a vetusta ideia da transferência de competências do poder central para o poder local. Para atingir tal desiderato, propõem a criação de um corpo intermédio: as entidades intermunicipais. A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), liderada pelo estimável Fernando Ruas, rejeitou por unanimidade esta proposta, contra-argumentando com a previsível perda de competências autárquicas e com a redução da capacidade de gestão de dinheiros públicos por parte dos seus associados, em benefício destas novas entidades. Num sinal de lucidez democrática, o representativo Fernando Ruas e a ANMP defendem que a liderança destas comissões deve ser legitimada através de sufrágio universal e directo. Neste último ponto, eu apenas acrescentaria a exigência da limitação de mandatos: dois, a exemplo do Presidente da Nação. Mas o que são estas comunidades intermunicipais? Velhos Governos Civis com nova nomenclatura e novos poderes? Segundo o semanário Expresso, estas comissões representam pelo menos uma centena de lugares a serem estreados e liderados por um primeiro secretário com um ordenado na ordem dos 4000 euros. A figura do primeiro secretário, ao invés do ex-governador civil, não será meramente decorativa, vai receber os poderes tributários municipais e ter capacidade de distribuição dos dinheiros públicos nacionais e europeus. Estas comissões em relação aos extintos governos civis ganham um novo poder, o aliciante poder do dinheiro. Neste contexto, além das autarquias também as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional serão esvaziadas de competências e relevância local. Numa época de aperto financeiro, este lugar de primeiro secretário será apetecível, logo disputado a nível político. À primeira vista estes lugares parecem talhados, pelo alfaiate Miguel Relvas, à medida dos dinossauros autárquicos, homens de costas largas entretanto impedidos de se recandidatarem aos lugares em que se eternizaram. Estas comissões serão uma segunda vida que o apparatchik, Miguel Relvas, dá a quem, sobrevivendo do aparelho, não quer uma reforma banalmente chata ou ao fim de tantos anos ainda alimenta alguma réstia de ambição política. Por saber está o tamanho destes órgãos e quanto nos vão custar, pois quem paga a factura já sabemos. 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Uma nova cara para a paralisação concertada nacional!

A greve geral já não cola hoje em dia. Já nem é geral, é gozada por aqueles que trabalharam todo esse dia no interior dos seus escritórios pertencentes à classe dos privados, é acusada de não resolver os problemas do país, atrasa o crescimento da nossa possante economia, cria problemas em quem se quer deslocar e nem sequer consegue dois minutinhos de antena no No Comment do Euronews. No entanto, e porque o que este país precisa mesmo é de soluções, pensamos em várias alternativas que permitam às nossas greves apresentar uma nova cara e resultados diversos conforme as intenções. Por exemplo:

Um Flashmob: Um ajuntamento instantâneo na Rua da Amália Rodrigues é algo ao qual estamos habituados, mas se se basear no Thriller do Michael Jackson ou no Call Me Maybe da Carly Rae Jepsen o impacto será maior e o divertimento garantido. Uma vantagem essencial: o flashmob permite a dispersão da multidão tão rapidamente quanto se reuniu, pelo que a irritação policial não terá tempo para se expressar nas velhotas indefesas, assim como nesta nova vaga de hooligans de trazer por casa. 

Um mega jogo de sueca: Aliar um passatempo nacional à crítica ao governo poderia de facto resultar e escalar para uma revolta de meter inveja à francesa. No fundo, juntar a frustração diária de centenas de dignos representantes da pós-meia-idade nacional à incompreensão pelo companheiro ter feito renuncia ou não ter reparado no sinal para jogar o Ás, poderia facilmente redundar em ofensas à filha do Zé que é uma pega de primeira até a discussões acesas sobre se a Troika está ou não disponível para estudar a redução do IRC para 10%. A partir daí era esperar pelo efeito deflagrador de tão poderosa massa, mas nesta altura nem conseguimos prever os possíveis efeitos sociais e políticos que tais acções poderiam ter no nosso país… 

Chamar o John Stewart: Antes de mais é americano, pelo que possui uma cultura de desenrascanço que lhe permite trabalhar sozinho na crítica aos governantes enquanto a população trabalha e continua a produzir. Por outro lado, é engraçado e mais moderno, o que vai retirar o ar pesado das faixas vermelhas e das já gastas palavras de ordem que tanto caracterizam as graves nacionais.

Depois disto, o nosso blog ganha um verdadeiro estatuto de serviço público. As ideias foram baseadas em cinco minutos de pensamento honesto e com o futuro da nossa Nação presente. Muito obrigado! 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Piquet(e) de Greve


Não sendo sindicalista, não posso deixar passar o dia sem uma referência ao Piquet.

domingo, 11 de novembro de 2012

Auto-biografia

Para efeitos de auto-estima e medo de falhar a benevolente posteridade, por antecipação, lancei-me numa auto-biografia. Terminada a obra, chego à conclusão que não passa de uma penosa errata de 450 páginas, divididas por 5 capítulos. Digno de registo somente: o jantar com esta senhora; uma nomeação para isto; e uma vitória aqui. Por razões óbvias, omiti a derrota nas autárquicas de 2013.

If ignorance is bliss...

Domingo de manhã, os suburbios preparam-se para aproveitar o ultimo dia de melancolia temperado pela fina chuva matinal que arrefece o espirito. O país, esse, prepara-se para a visita do Lucifer do Norte, qual membro dos germanos esguedelhado de olhos vermelhos-sangue na sua carruagem de cavalos negros. Mantenho-me neutro perante a mistura de sentimentos e dou uma olhadela nos jornais: Merkel aposta na indústria nacional, Activistas querem panos negros contra Merkel, Alemães em Portugal estranham onda de indignação, Nos calabouços da PJ, Chef Michel que fazer refeições... Ah... Ainda se faz pouco da nossa justiça, não é? Bom... ao menos um pouco de coerência neste Portugal sempre nosso, sempre igual... É aí que paro e penso: If ignorance is bliss, so let us be happy...

sábado, 10 de novembro de 2012

So me apetece...


Recomendo

Aproveite o fim-de-semana que deve ser longo - a contar pelo meu que começou com choro às 5h43 am - e vá ver este filme. Muito bom. Desconcertante. E um excelente actor.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obama

É bom de ver a esquerda e imprensa do velho continente a apoiar um "neo-liberal".

Obama

"Obama Venceu! São boas notícias para a Europa e para Portugal. Há pelo menos um português que mantêm o nível de vida... Boa sorte, Bo."

Fernando Figueiredo.

And the winner is...

(creio, para mim, que evitámos um conflito mundial)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sapatos...

Gosto de comprar o que é nosso. Tendo oportunidade de escolha, opto por produtos nacionais mesmo que isso me pese mais na carteira. Faço-o, não apenas por uma questão de mero patriotismo mas por realmente acreditar que temos produtos de excelente qualidade nos mais variados ramos de atividade.

No que diz respeito aos têxteis e ao calçado a coisa complica-se. Seja porque a oferta é escassa, seja porque dentro da diminuta oferta os preços não são os mais acessíveis, a verdade é que tenho dificuldade em levar avante as minhas convicções nestes setores. E é aqui que entra a história dos sapatos....

Na impossibilidade de comprar uns bons sapatos portugueses (estes são para calçar os santos pés de Sua Santidade, o Papa, e não os meus!), comprei uns de nuestros hermanos que cumpriam na perfeição os meus requisitos e além disso tinham um preço bastante razoável.

Até aqui, pese o patriotismo que fora para o galheto no momento da compra, nada de especial.

Ao chegar a casa, depois da compra, reparo no selo colocado na sola dos ditos, onde leio: "Defendemos el trabajo en Espana". Inevitavelmente esboço um sorriso e abano a cabeça como quem diz "sim senhor...!".
Conto-vos esta história do meu quotidiano para dizer que, em alguns aspetos, penso termos muito a aprender com os nossos vizinhos do lado. No que respeita à defesa e exportação não só de produtos mas também e principalmente ao nível da cultura e língua, o povo espanhol é um caso exemplar do não conformismo depois da entrada na UE.