segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Os Loucos Anos 90

Eram meados dos anos 90, os loucos anos da droga, do techno e de jogadores búlgaros a espalhar magia pelos campos de futebol portugueses. Pensava-se que tudo o que de mau havia no passado estava a ser levemente esquecido e os próprios políticos não deixaram escapar a oportunidade para vincar a sua criatividade no âmbito do humor, criando escola e abrindo caminho a pérolas como as fábulas do “Lafontaine” Macedo. E foi isso mesmo que fez Carlos Borrego, ministro do Ambiente de Cavaco Silva, certamente no meio da folia de uma jantarada bem regada e marcada por todos os excessos característicos da já distante era nos nineties e do esbanjamento dos dinheiros públicos. “Sabem o que é que no Alentejo – em Évora melhor dizendo – fazem aos cadáveres das pessoas que morreram ultimamente? Levam-nos para reciclar, para aproveitar o alumínio” – declarou o ministro no auge da sua genialidade. Piadas sobre alentejanos eram comuns na época, mas tal declaração caiu que nem uma bomba e forçou mesmo à demissão do ousado Borrego, que rapidamente se desvaneceu na memória nacional em plena era do primitivismo cómico do Macaco Adriano e numa altura em que Sofia Aparício e Rute Marques ainda saltaricavam no imaginário sexual dos homens portugueses.
No entanto, e como perspicazes bloguistas que somos, é importante relembrar acima de tudo as reacções políticas a este escândalo de humor negro (bem sabemos que a SIC acabou de perder uma hora da sua programação com paralelismos entre o Portugal da década de 90 e os dias de hoje, mas comparações com a actualidade são permitidas neste caso e recomendam-se…). Ora vejamos seis momentos-chave:


0:20: Duarte Lima, um humanista por natureza… Nunca ele poderia aceitar gozar-se com cadáveres, até porque só ele sabe a dificuldade de arcar com o peso de um defunto…
0:26: Pacheco Pereira, ainda longe das actuais e sábias barbas brancas, deixou de lado o característico “Mas isso não é a questão essencial…” e enfrentou o touro pelos cornos, adoptando uma postura mais pragmática para algo tão pouco ético.
0:39: Cavaco Silva respondia: “Quem? O quê? Não percebo, desconheço totalmente… Ó Maria, quem é o Carlos Borrego? Ah sim… Pois… Bom, não comento…” Enfim, se duvidas restassem, já em 1995 se vislumbrava o porquê deste senhor não conseguir prever a crise que assolaria o nosso país…
1:24: PCP, num vislumbre de indignação hollywoodesca com vídeo a preceito e nomes para dramatizar toda a cena. Um verdadeiro prototipo do estilo Fahrenheit 9/11. Há quem diga que se o Michal Moore é o que é hoje, certamente o deve ao período Carvalhas do comunismo português.
2:03: António Guterres, palavras para quê? O futuro comissário das Nações Unidas não poderia aqui deixar de lado as suas qualidades de defensor da vida humana e já calcetava o caminho que o levaria a ajudar os pobres e oprimidos do Terceiro Mundo.
2:38: "É o Manuel Monteiro" - acabaram de me dizer ao ouvido……… hmmmm…… pois….. "Ó Maria, quem é mesmo o Manuel Monteiro?!"...

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