segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Jean “Macedo” LaFontaine



Domingo marcado pela fantástica adaptação de contos à realidade social e política portuguesa. Mas que criativa esta nova forma de argumentação, recorrendo à força persuasiva das fábulas para crianças! Enfim, eu cá senti-me profundamente inspirado por estes recursos estéticos no envio de recados à população que não deixei a oportunidade para também fazer uma adaptação de LaFontaine.



Um membro do governo a sede matava nas águas limpas de um regato. Eis que se avista o povo que por lá passava em forçado jejum, aventureiro inato. E lhe diz irritado:
- Que ousadia a tua, de turvar, em pleno dia, a água que bebo! Hei-de castigar-te!
- Povo, permiti-me um aparte —diz o carreirista assustado — Vede: Estou matando a sede com água a jusante, bem uns vinte passos adiante de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte, para mim seria impossível cometer tão grosseira ousadia..
- Mas turvas. E, ainda mais horrível, foi que falaste mal de mim no ano passado.
- Mas como poderia — pergunta assustado o humilde servidor do Estado — se eu nem estava a exercer funções nessa altura?
- Ah, não? Então deve ter sido certamente um teu “irmão”.
- Peço-vos perdão mais uma vez. Mas deve ser engano, pois eu não tenho mano.
- Então, algum parente. Teus tios, teus pais... Teus padrinhos na política. Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais; Por isso, hei-de vingar-me.
E o leva até o recesso da mata, onde o esquarteja e come sem pensar duas vezes.

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