sexta-feira, 24 de agosto de 2012

As nossas leis da simplicidade


Muito rapidamente gostava de mostrar o meu descontentamento com o discurso político pobre e simplista que os nossos governantes nos têm “injectado” diariamente em tempos de cada vez maior dificuldade e incerteza. O lote imenso de frases vagas e sem nexo sobre vários assuntos, como por exemplo a economia (boas notícias sobre a recuperação mas sem qualquer substanciação) e ainda de declarações inócuas sobre o futuro, tão vagas que se pode perguntar o quê é que estas pessoas têm estado a fazer durante os últimos anos, deixa-me com uma sensação de incerteza pelo nosso futuro e de irritação pelo insulto à nossa inteligência.

É bem verdade que as razões para isto são muitas mas o que mais me incomoda é que esta simplificação não é mais do que uma forma deficiente de pensar e que provem da intolerância e mais ainda do desconhecimento em relação à verdade daquilo que nos rodeia e até mesmo da pressa em entender e reagir àquilo que lhes é apresentado como uma ameaça aos seus interesses ou mesmo como algo de extrema complexidade e que pura e simplesmente não têm capacidade para controlar. 

Logo, acredito que o discurso político de quem nos governa acaba por estar inteiramente espelhado na falta de criatividade política, até porque não existe uma vontade e capacidade inovadora nas ideias, assim como uma necessidade de resolução ou ruptura dos governantes em relação às dificuldades que temos vindo a sentir dia após dia… Mesmo que vivêssemos sem contrariedades, nenhum governante será para sempre eternizado apenas por fazer cumprir as suas obrigações constitucionais, tem de ir mais além! E o primeiro passo pode passar precisamente pela alteração de um discurso banal e retardador dos problemas para algo mais pró-activo, honesto e que privilegie um pensamento elaborado.

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