quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A rebelião das estantes



Sou zeloso proprietário de diversos dicionários. Devido ao Acordo Ortográfico, em breve, serão obsoletas relíquias do passado. Esta manhã, liderados pelo perigoso fascista etimológico (leia-se dicionário de Latim-Português), iniciaram uma greve de zelo. Exigem ser tratados por: Glossarium!! 
O poderio sócio-económico brasileiro terá óbvias dificuldades em impor-se, nas minhas estantes!

Mais do que uma declaração política


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Memórias de Raymond Aron



Confesso que gosto de ler biografias e memórias. São o meu reality show, literário, preferido! Sem as desvantagens dos formatos televisivos, a saber: Os participantes não estão sujeitos ao voto do público; O vocabulário não é sofrível; As senhoras, com uns quilos a mais, estão sempre vestidas; Os participantes nunca foram convidados para o Carnaval da Mealhada; Raramente o Correio da Manhã tem notícias em que os intervenientes sejam referidos; Não são apresentadas nem por Júlia Pinheiro, nem por Teresa Guilherme. Portanto todas as vantagens, nenhum inconveniente!
Neste momento leio: Memórias de Raymond Aron (1905- 1983), editado pela GUERRA & PAZ. 
Raymond Aron, filósofo e sociólogo, homem prudente, céptico, adorava o diálogo e não fugia ao debate. 
Esta obra relata a sua vida, num século em que o mundo mudou e a dicotomia entre marxismo e liberalismo atinge o seu auge. 
R. Aron é um realista clássico, um Keynesiano liberal, alguém que não se define como de direita ou esquerda. Para Raymond, em todos os assuntos, as suas posições políticas e sociológicas dependiam sempre, mas sempre, dos problemas apresentados. São recordados os principais combates da sua vida, muitos dos quais com o seu bom amigo Satre. Aron é alguém generoso para com o adversário, como só os verdadeiros cavalheiros sabem ser, capaz de entender as qualidades dos que criticava e as fraquezas  dos que defendia. Para Aron a beleza e a fragilidade do liberalismo reside no facto de que "este não abafa as vozes mesmo as mais perigosas". O seu pensamento pluralista ainda é actual e necessário. Seria bom que, algumas cabeças que nos governam, passem os olhos por esta obra.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Fim de semana de Carnaval



Nota de culpa:  Não gosto do Carnaval.

Percebo o fenómeno no Brasil e em Veneza, a sério que percebo. Já em Portugal não!!
Senhores vestidos de senhoras e senhoras com pouca roupa, uns quilinhos a mais, num samba frouxo, nas ruas frias da Mealhada, em pleno inverno. Não é a minha praia, a sério que não!!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Política de vinil para uma geração 2.0



Uma tarde de ócio sem me cruzar com política... não é fácil! Não acredita? Então, avanço com a explicação.
Vou até ao café, mais simpático, perto de minha casa e ouço alguém avançar com um definitivo: "Na política é vira o disco e toca o mesmo". De repente os sinos tocam na minha cabeça e eu, que detesto frases definitivas, lanço um olhar. Rapidamente percebo o que me separa do orador. Além das 4 mesas, o que nos separa é o suporte musical.
Deixei o leitor confuso? Então passo a esclarecer. 
O citado cidadão será da geração de 50, logo cresceu a ouvir música em vinil. No seu tempo, a música ouvia-se no lado A e lado B. A política, de então, aproveitou a moda e "virar o disco e tocar o mesmo" passou a ser prática comum, tanto nos discursos como na acção. A minha geração cresceu num mundo em rápida evolução, do CD para o MP3 até ao Itunes. Para mim, a música começa por ouvir um single. Se gosto procuro o resto do álbum, e apenas guardo as músicas que me fazem abanar a cabeça; se não me agrada dou uso à tecla delete, passo para o próximo artista, assunto encerrado. Já a política também passa por uma análise crítica constante, tanto ao que é dito como ao que é feito.
O mundo evoluiu, as novas gerações estão mais atentas. Tal como o vinil, que é uma recordação do passado, procurada apenas por coleccionadores, o caciquismo em breve será artigo para coleccionadores. 
Políticas de vinil não seduzem o mundo 2.0!!


Publicado originalmente em: http://atribunadeviseu.blogspot.com/

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Grécia a ferro e fogo



A Grécia, depara-se com duas soluções, ou aceita mais perda de soberania ou fica de cofres vazios. Entre a espada e a parede, fica a certeza de que a democracia dentro da UE começa a ser um bem acessório.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A geografia do crime


De  facto o mundo é pequeno, muito pequeno. Quando acontece uma tragédia acabamos, inevitavelmente, por conhecer alguém próximo da vítima. Todos os factos, relativos a este triplo homicídio, conduzem-me de novo a Truman Capote.  
A obra " A sangue frio", entre nós editada pela Dom Quixote, é um dos textos mais perturbadores alguma vez escrito, tanto pelo clima de ansiedade, para o qual nos remete, como pela sensação de violência latente. Fruto de 5 anos de investigação, para a revista The New Yorker, tendo sido originalmente publicado nas suas edições, de Setembro e Outubro de 1965. O livro relata, com grande pormenor, os eventos que levaram a uma noite de violência, sem motivação aparente, resultando no homicídio, a tiro de caçadeira, de quatro elementos da família Cutler. A acção decorreu, a 5 de  Novembro de 1959, na pequena cidade americana de Holcomb, estado do Kansas. O evento, desde logo, induziu uma disrupção à ordem natural da vida na, até então, calma cidade. A dúvida sobre a autoria dos assassinatos levou a que os vizinhos desconfiassem uns dos outros e a recear pela própria segurança. 
O autor, no livro, começa por apresentar e humanizar todos os participantes do fatídico evento. A família Cutler é nos  apresentada como: pessoas honestas, trabalhadoras, com boas relações de vizinhança. Neste momento, o leitor percebe que poderiam ser seus vizinhos, amigos ou até familiares. Também somos  transportados para o universo dos homicidas Perry Smith e Dick Hickock, sendo revelado como se conheceram e embarcaram nesta viagem até ao corredor da morte. Smith é apresentado como um  jovem sensível, inteligente, fruto de uma família disfuncional, possivelmente esquizofrénico e atormentado pelas memórias da juventude. Dick Hickock é visto como criminoso comum, psicopata, destemido, detendo pouca consciência ou empatia pelo “outro”,  com uma obsessão por raparigas jovens. 
Toda a acção relatada, ocorre num espaço temporal que se inicia semanas antes do acontecimento, seguem-se os momentos do homicídio, a detenção dos autores, o julgamento, a apresentação de recursos judiciais, até à execução final em 1965. 
Apesar dos resultados do crime e os seus autores serem indicados no início, o leitor é mantido em estado de alerta, à espera do relato do crime, pois sabemos que algo extremamente violento irá acontecer. As perguntas que surgem, ao longo da obra, são: Porque mataram? E como mataram? O Livro, não deixa de lançar uma visão sobre o funcionamento do sistema judicial americano, bem como uma reflexão sobre a aplicação da pena de morte.
Na minha opinião, tendo em mente que o livro é uma narração de factos reais, é uma abordagem honesta à geografia da crueldade, violência e perversão sexual, inerentes à condição humana. 


Ver texto original publicado na The New Yorker: Parte I; Parte II; Parte III; Parte IV 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Um modo de vida



                                                   
                   O Engraxanço e o Culambismo Português

 " Noto com desagrado que se tem desenvolvido muito em Portugal uma modalidade desportiva que julgara ter caído em desuso depois da revolução de Abril. Situa-se na área da ginástica corporal e envolve complexos exercícios contorcionistas em que cada jogador procura, por todos os meios ao seu alcance, correr e prostrar-se de forma a lamber o cu de um jogador mais poderoso do que ele. Este cu pode ser o cu de um superior hierárquico, de um ministro, de um agente da polícia ou de um artista. O objectivo do jogo é identificá-los, lambê-los e recolher os respectivos prémios. Os prémios podem ser em dinheiro, em promoção profissional ou em permuta. À medida que vai lambendo os cus, vai ascendendo ou descendendo na hierarquia. Antes do 25 de Abril esta modalidade era mais rudimentar. Era praticada por amadores, muitos em idade escolar, e conhecida prosaicamente como «engraxanço». Os chefes de repartição engraxavam os chefes de serviço, os alunos engraxavam os professores,os jornalistas engraxavam os ministros, as donas de casa engraxavam os médicos da caixa, etc... Mesmo assim, eram raros os portugueses com feitio para passar graxa. Havia poucos engraxadores. Diga-se porém, em abono da verdade, que os poucos que havia engraxavam imenso. Nesse tempo, «engraxar» era uma actividade socialmente menosprezada. O menino que engraxasse a professora tinha de enfrentar depois o escárnio da turma. O colunista que tecesse um grande elogio ao Presidente do Conselho era ostracizado pelos colegas.Ninguém gostava de um engraxador. Hoje tudo isso mudou. O engraxanço evoluiu ao ponto de tornar-se irreconhecível. Foi-se subindo na escala de subserviência, dos sapatos até ao cu. O engraxador foi promovido a lambe-botas e o lambe-botas a lambe-cu. Não é preciso realçar a diferença, em termos de subordinação hierárquica e flexibilidade de movimentos, entre engraxar uns sapatos e lamber um cu. Para fazer face à crescente popularidade do desporto, importaram-se dos Estados Unidos, campeão do mundo na modalidade, as regras e os estatutos da American Federation of Ass-licking and Brown-nosing.Os praticantes portugueses puderam assim esquecer os tempos amadores do engraxanço e aperfeiçoarem-se no desenvolvimento profissional do Culambismo. (...) Tudo isto teria graça se os culambistas portugueses fossem tão mal tratados e sucedidos como os engraxadores de outrora. O pior é que a nossa sociedade não só aceita o culambismo como forma prática de subir na vida, como começa a exigi-lo como habilitação profissional. O culambismo compensa. Sobreviver sem um mínimo de conhecimentos de culambismo é hoje tão difícil como vencer na vida sem saber falar inglês."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


Nota: Um dos nossos grandes atavismos, enquanto sociedade, é que este tipo de actividades estão profundamente enraizadas nos aparelhos e cultura partidária. 
Uma terra, um partido, um cacique! Podia ser o slogan de múltiplas campanhas partidárias, dos anos 80 e 90. Já chega!!
É um imperativo categórico que se cortem estas amarras. Como? Esta atitude começa dentro dos partidos, através do apoio a candidaturas que pela sua juventude, cultura intrínseca ou independência, confrontem os partidários do statu quo!! Os partidos são uma parte fundamental da vida democrática ninguém o pode negar. Mas só damos um passo em frente, na nossa cultura política e democrática, se mudarmos de agentes políticos. O paradigma de agente politico em vigor  conduziu-nos até ao actual estado da nação, francamente os resultados não são positivos. A mudança é um bem necessário, espero que não seja um bem escasso no nosso espaço partidário. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vivemos numa era de euforia que faria as pessoas muito felizes, mesmo nas circunstâncias mais abomináveis?...

RIP

Porque quando acontece um crime macabro numa cidade pequena, que é tua, tu sabes que tem de ser uma amiga tua de infância e as mulheres da vida dela.
Esta semana volto a Beja, vou reencontrar amigos de há mais de 20 anos - como tu - e, se da última vez foi para fazermos um jantar que as duas arranjámos, desta vez, o Esperança (nome do teu pai), torna esse reencontro o pior de todos. Descansa finalmente, vocês merecem depois de tantos anos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Travessia de Verão



Um dos autores de referência do século XX é, sem dúvida, Truman Capote (1924-1984). A sua obra prima é " A sangue Frio". Uma obra violenta, escrita num estilo pungente, que inaugura, um novo género literário, o romance não ficção.
"Travessia de Verão" é o primeiro romance escrito pelo autor, embora publicado postumamente. Escrito originalmente em 4 cadernos, num total de 130 páginas, esteve dado como perdido por 40 anos. Felizmente chegou até nós, editado em 2007, pela mão da Dom Quixote. Neste livro de estreia, encontramos um T. Capote à procura do seu registo literário, sem a maturidade apresentada em "A Sangue Frio", mas exprimindo-se uma prosa fluída, lançando um olhar lúcido sobre a sociedade nova-iorquina e uma visão  subtil e irónica sobre as diferenças de classe. Esta obra é o relato de um amor adolescente passado na  Nova York de 1945 (período pós-guerra). O enredo desenvolve-se em torno de Grady Mcneil uma jovem bonita, protestante, de classe alta, sozinha em casa durante o verão, após os pais terem embarcado no navio Queen Mary, com rumo a França. Grady desenvolve uma relação com Clyde Manzer, rapaz judeu, de classe baixa, veterano de guerra que trabalha num parque de estacionamento. Com o evoluir do romance, os dois jovens acabam por se casar numa madrugada em New Jersey. Começam a surgir as diferenças sociais e a história entra numa espiral que nos guia até a tragédia final. Apesar de ser um livro de estreia, são perceptíveis os diversos atributos que irão definir o estilo de Capote, vale a pena adicionar este livro na vossa lista de leituras.

Terreiro do Paço


De acordo com a CGTP, no sábado, estiveram 300 mil manifestantes no terreiro do paço!!
Eu olho para as imagens aéreas e assumo que ou não sabem contar ou mentem. Se é caso de má matemática podem comprar uma calculadora e resolvem o assunto, se é caso de falta de honestidade muita coisa fica justificada. 

PS: Ninguém lembra aos jornalistas que a função deles é informar? Nenhum órgão de comunicação se dispôs a confrontar o Sr. Arménio Carlos com a, evidente, distorção de números?

Geração de 80




A geração de 80, sem dogmas, revisita a URSS! Uma geração de olhos postos no futuro sem complexos relativos ao passado.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Fim de Semana no CC



Fim de semana espaços comerciais cheios, fila para estacionamento, senhores de fato domingueiro, senhoras de vestido preparadas para desfilar na passerelle. Dias inteiros passados entre ar-condicionado, luzes, moda, cinema, meninas sorridentes, ofertas de crédito e picanha.

Eu, filho de uma sociedade consumista, me confesso: Ainda não percebi a atracção dos Centros Comerciais!!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Porque a verdade é esta!

E por vezes aprende-se mais num sítio do que noutro.

Ass.: Ex aluna desta esplanada faculdade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Jovens solidários? Sim ou não?



Estudo sociológico interessantíssimo a olhar com mais atenção no Público (http://www.publico.pt/Sociedade/os-jovens-sao-por-condicao-solidarios-em-portugal-pelos-vistos-ja-nao-e-assim-1532349). Aqui fica um pequeno excerto: 

"É mais uma das ideias antes dadas como certas que agora não sobrevive à crise. Os jovens são por condição solidários? Em Portugal pelos vistos já não é assim. Um estudo do Instituto de Ciências Sociais (ICS) sobre as atitudes dos portugueses perante a desigualdade e os chamados direitos sociais, desenvolvido com base num inquérito realizado em 2011, a que o PÚBLICO teve acesso, dá conta que os jovens são o grupo que menos empatia mostra para com as dificuldades sentidas pelos mais pobres neste cenário de crise.

No inquérito, realizado no âmbito do barómetro sobre a qualidade da democracia, pede-se aos entrevistados que identifiquem os grupos sociais que estarão a atravessar maiores dificuldades nesta crise. Para o efeito são propostas três afirmações sobre as pessoas mais ricas, as da classe média e as mais pobres e é pedido que as classifiquem numa escala de 1 (muito de acordo) a 5 (muito em desacordo).

Confrontados com a afirmação de que "as pessoas mais pobres estão a viver tempos muito difíceis, porque não têm acesso às recompensas dos ricos e são pouco apoiadas socialmente", 82% dos entrevistados mostraram a sua concordância. Mas, segundo os autores do estudo, os sociólogos Filipe Carreira da Silva e Mónica Vieira, os resultados mostram também que, numa amostra de 1027 inquiridos, seleccionada para ser representativa da população nacional, são os mais jovens que manifestam o maior desacordo em relação àquela afirmação.

Entre empregos precários e o desemprego crescente, "os jovens têm pela frente uma vida de enormes incertezas. Estão muito preocupados com eles próprios e daí a menor solidariedade com os pobres", justifica Filipe Carreira da Silva. Por outro lado, terão receio de que os apoios hoje garantidos aos mais pobres contribuam para o fim, a prazo, da existência das prestações sociais, os que os penalizará ainda mais."




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Português Suave



"A minha pátria é a língua portuguesa" - Fernando Pessoa  

Em todo o mundo, aproximadamente 280 milhões de pessoas têm como língua oficial o Português. Esta é a nossa maior riqueza enquanto nação. Mas a realidade é que estamos a explorar mal este recurso. Portugal tem, definitivamente, de desempenhar o papel de actor principal no mundo lusófono. Neste momento de indefinição, é imperativo assumir de vez e sem complexos a CPLP como uma alternativa válida e complementar ao projecto da U.E. Uma aproximação séria, com o devido  aprofundamento de acordos e estreitamento de  laços, com os nossos "irmãos de língua" proporcionaria: um aumento de mercado para os produtos nacionais; reforçaria o nosso peso político internacional, bem como a nossa importância geopolítica e  geoestratégica dentro da U.E; tornar-nos-ia  menos dependentes das vontades franco-germânicas; dinamizaria a nossa posição como entreposto comercial e cultural entre a U.E e CPLP; reforçaria o valor da língua e cultura lusófona a nível mundial. O actual governo, se olhar para além da crise e da troika, deverá apostar no desenvolvimento da CPLP, tudo isto, sem se comprometer com regimes ditatoriais ou democracias diminuídas. A CPLP com o desenvolvimento do Brasil, a democratização de Angola, integração de Portugal na U.E, a posição de Timor-Leste no Sudoeste Asiático, a localização de Moçambique na costa oriental de África, Cabo-Verde São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau no coração do Atlântico, tem um novo mundo de oportunidades, à espera de serem aproveitadas neste século. 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Roteiros Republicanos

                                                   

Estamos no verão de 2011, entro numa livraria da capital, e reencontro-me com Viseu (a minha terra natal). Não, não pense que ensandeci de vez, ou, em alternativa, consumi alguma substância ilegal. Tenha calma, que eu sou um tipo respeitador das leis da república. Refiro-me ao livro "Viseu Roteiros Republicanos", da autoria de António Rafael Amaro e  Jorge de Meneses Marques, editado pela Quidnnovi em 2010, no âmbito das comemorações do centenário da república. 
Porque vale a pena ter este livro em conta? Poderia enunciar inúmeros motivos, mas vamos ao essencial: em primeiro lugar, não abundam no mercado obras, honestas e de qualidade, sobre Viseu; em segundo lugar, somos brindados com várias ilustrações desde mapas da cidade (do tempo em que existia um quartel de artilharia bem no coração da cidade), abundantes fotografias de época, capas e recortes de jornais (que já só existem na cabeça da geração dos nossos avós) que, só por si, valem o preço do livro; por último, é um trabalho bastante completo e de fácil leitura, não se torna aborrecido até para as almas mais inquietas, não sendo muito dispendioso, numa altura de carteiras vazias.
E o que podemos esperar ao folhear a obra? Ao leitor, é apresentado um corte transversal da sociedade da época. Os autores, começam por uma caracterização económica e social, onde são apresentadas dinâmicas populacionais (1864 - 1940) e de emigração (1890 - 1939). Depois, levam-nos numa viagem pela criação da Região Demarcada Dos Vinhos Dão, apresentam biografias de figuras da elite local e o seu pensamento político (algumas dessas cabeças fazem falta), relatam o florescimento de jornais locais, analisam eleições e movimentos políticos, não sendo esquecida a restauração da monarquia em Viseu, no ano de 1919. Mais para o fim, está reservado um reconhecimento dos espaços públicos e toponímia republicana. Se é adepto dos rigores da forma física, a boa notícia é que, a obra, também retrata o desporto e os seus espaços. Para os saudosistas, do comboio, são apresentados projectos, alguns concretizados outros que não chegaram a ver a luz do dia, relativos à ferrovia local. Estamos perante um  relato sobre grandes homens, que viveram, uma época, feita à medida, de grandes políticos. 
A minha, última nota vai para o facto de as notícias poderem chegar mais rápido, se vierem de comboio.

PS1: Texto adaptado do original 
PS2: Existem Roteiros Republicanos relativos a todos os Distritos, procure o seu, não se vai arrepender.

Serviço público.. poupe na TDT



Não acusem o Avenida de Berna 26 de  não ser poupado!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Romney avança para xeque-mate?



Esta terça-feira, realizaram-se as primárias republicanas na Florida. No quarto maior estado norte-americano, Romney obteve 46% dos votos contra os 32% arrecadados por Gingrich, 13% de Santorum e 7% de Paul. Romney venceu graças aos votos dos moderados, liberais, católicos e protestantes. Por seu turno, Gingrich voltou a recolher a preferência da maioria dos conservadores e simpatizantes do movimento Tea Party. 
No discurso de vitória Romney aproveitou para se concentrar em Obama, apelar à união dentro do Partido Republicano, procurando reforçar a sua posição de candidato com mais hipóteses de derrotar o partido democrata. Tal como Gingrich recordou, o caminho não é um mar de rosas, ainda faltam 46 estados, a batalha eleitoral vai no inicio. Apesar de Romney ter tomado a dianteira nada é garantido. Nos próximos combates, a luta Romney-Gingrich vai endurecer... afinal, neste tabuleiro, o rei ainda não foi encurralado!


A saúde vai mal, sim Sr.

Quando quis ter a M. no Alentejo de imediato decidimos que o faríamos num Hospital do Estado. Fazia sentido até porque o próprio pai trabalhava "por ali" o que tornava as visitas mais fáceis e, principalmente, porque estávamos longe de imaginar que, entre colegas, algo pudesse correr mal. Tudo falhou, principalmente o lado humano dos médicos e enfermeiros. Na altura não escrevi no livro de reclamações para evitar represálias ao digníssimo esposo, do mesmo modo que não o fiz desta vez, aquando do internamento da M. durante as últimas 80 horas (mas desta vez as enfermeiras não escaparam a um bate boca no início da madrugada de 2ª feira). Só para resumir: a M. levou comida de casa para se poder alimentar e ainda teve de dar do NAN 2 dela a um bebé que não tinha comida; a mãe da M. (eu) dormiu 3 noites num sofá de um lugar; num dia faltaram lençóis e toalhas; noutro o ar-condicionado avariou e noutro não havia água quente; as 22h a M. arrancou o cateter, a mãe da M. (eu) avisou as senhoras enfermeiras que, por estarem a ver televisão, apenas apareceram as 23h para ver a mão da M. e as 23h20 para realmente mudar o cateter da M.... Etc, etc, etc... foram só 80 horas e muito mais podia dizer, nomeadamente as 6 horas passadas nas urgências com uma bebé de 9 meses, mas isto dá uma luzinha do estado da nossa saúde infantil.