segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Irão, o samba de Dilma, o preço do petróleo e o nosso bolso


O que tem o irão?

De acordo com o Jornal Público, o Irão, no seu estilo democrático, avisou (o verbo avisar deve ser entendido como uma metáfora) as monarquias do golfo para não aumentarem a produção de petróleo, caso o regime de Teerão seja sujeito a um embargo. Embargo que será decidido no decurso, deste mês, de Janeiro.

Entretanto, foi confirmando o que se suspeitava!

A agência Internacional de energia atómica, revelou que a fábrica de processamento de combustível, de Fordow, está em condições de produzir urânio enriquecido. Segundo o regime teocrático, de Ahmadinejad, este material é destinado à investigação científica sobre o cancro. A comunidade internacional, franze o sobrolho pois, acredita que é elevada a possibilidade de estarem a enriquecer urânio, para ser utilizado em ogivas nucleares. Para Teerão o programa nuclear serve, essencialmente, para garantir a sobrevivência do regime.


E o "não caso" Rouseff?

Na última semana, durante 5 dias, Ahmadinejad andou em visita pela América Latina. Mas qual é a novidade? A América Latina sempre fez parte do roteiro de Ahmadinejad, certo?

Bem, a novidade fala português!!!

A Presidente Dilma Roussef, demarcou-se do regime teocrático, resolveu o problema moral criado por Lula da Silva (sim, o mesmo Lula do café da manhã e ainda o mesmo que assinou o tratado nuclear com o Irão) e não recebeu Ahmadinejad. Dilma, ao contrário do ex-presidente que parecia não se incomodar, é adepta do respeito pelos direitos humanos, particularmente das mulheres. Desde a Saída do Presidente Lula, o comércio entre os dois países diminuiu perto de 73%. Para quem pensava que Dilma era uma marioneta criada por Lula, aí está a resposta.


Do dilema de Obama às certezas israelitas.

Barack Obama tem eleições à porta, logo, irá agir com a devida prudência. Já o secretário de estado do tesouro norte-americano, aterrou esta semana em Pequim numa tentativa de convencer a China a aderir às sanções que estão a ser discutidas. De acordo com Leon Panetta, secretário de estado da defesa da administração Obama, para os EUA um Irão com arsenal nuclear é “inaceitável” .


O que nos chega de Israel e Inglaterra?

De um lado, Israel avisou que se o programa nuclear iraniano não parar irá agir militarmente, do outro, o ministério dos negócios estrangeiros britânico afirmou que uma acção militar não está posta de parte.


As consequências imediatas?

O que está em jogo é muito. Desde logo o preço do petróleo, do gás natural e a segurança regional no médio oriente. Desde a escalada dos jogos de guerra, no golfo pérsico, o preço do petróleo já subiu 3 dólares por barril. Segundo o jornal “The New York Times”, existe a possibilidade de subir mais 50 dólares, ou seja perto de 45% do seu valor actual. Recordo que Irão produz 3,5 milhões de barris/dia, 80% dos quais para exportação.


E eu, português, devo temer alguma coisa?

Caro leitor, além das dificuldades adicionais que a situação cria à resolução da crise, quando abastecer, numa bomba da GALP, está a pagar: a Bomba Nuclear de Teerão; o facto de ainda existirem estados, não democráticos, com excesso de poder regional; a nossa (UE) dependência energética; e a falta de poder negocial da União Europeia, que ainda vive sob o guarda-chuva militar dos EUA.


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